Aumento dos Afastamentos por Burnout Apressa Despesas da Previdência
Dados recentes indicam um crescimento alarmante nos auxílios-doença relacionados ao esgotamento profissional.

São Paulo, SP - A empresária e influenciadora Carla Ramalho, de 34 anos, enfrentou um período de intenso estresse antes de ser diagnosticada com burnout, a síndrome do esgotamento profissional. Durante sua atuação como gerente de marketing em uma multinacional, ela ignorou sintomas como insônia, irritabilidade e lapsos de memória, até que um episódio de pânico a levou a se afastar do trabalho.
Os afastamentos por burnout aumentaram seis vezes nos últimos quatro anos, gerando pressão sobre os gastos da Previdência Social. Segundo o Ministério da Previdência Social, os auxílios-doença por esgotamento dispararam 493%, passando de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024, com 3.494 registros apenas nos primeiros seis meses de 2025.
A dificuldade em identificar o burnout contribui para a subnotificação dos casos, já que muitos trabalhadores são afastados por outras condições. O INSS também registrou 472,3 mil auxílios-doença relacionados a problemas de saúde mental em 2024, um aumento em relação aos 283,5 mil do ano anterior.
O aumento das despesas com auxílios-doença, que subiram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024, destaca a gravidade do problema. Enquanto isso, os gastos totais da Previdência também cresceram, atingindo R$ 876,9 bilhões em 2024.
Carla salienta que o preconceito em torno da saúde mental impede muitos trabalhadores de buscar ajuda. “Burnout não é frescura. É um problema de saúde reconhecido pela OMS”, afirma. O governo já está ciente do aumento dos afastamentos por transtornos mentais e iniciou estudos sobre o impacto da pandemia nos trabalhadores.
Com as novas normativas do Ministério da Saúde e do Trabalho, espera-se um mapeamento de riscos psicossociais nas empresas, embora a implementação de multas tenha sido adiada. O aumento das jornadas de trabalho e o uso constante da tecnologia são apontados como fatores que agravam o esgotamento.
A advogada Priscila Arraes Reino destaca que o crescimento dos processos judiciais relacionados ao burnout reflete a gravidade do problema no ambiente de trabalho. Em 2024, 17,2 mil ações mencionaram a síndrome, subindo para 20,1 mil em 2025, com um passivo de R$ 3,63 bilhões para as empresas. O burnout deve ser tratado como um problema estrutural do trabalho moderno, e não como uma fraqueza individual.