sábado, 7 de março de 2026
Ao vivo
Economia

Banco Central decreta liquidação da Reag Trust após investigações por fraudes

Instituição financeira é suspeita de envolvimento em esquema de ciranda financeira ligado ao PCC.

Economia2 min de leitura
Banco Central decreta liquidação da Reag Trust após investigações por fraudes
Foto: Divulgação

Publicidade

Anuncie aqui

BRASÍLIA, DF - O Banco Central anunciou nesta quinta-feira (15) a liquidação da Reag Trust, que está sendo investigada por supostas fraudes no caso Master, onde teria utilizado fundos de investimento para inflar artificialmente ativos. Além disso, a Reag é suspeita de vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Conforme dados da Anbima, a Reag administrava R$ 352 bilhões em novembro e ocupava a 11ª posição no ranking nacional de administradoras. A liquidação foi determinada um dia após a Polícia Federal dar início à segunda fase da operação Compliance Zero, que apura a utilização de fundos de investimento para aumentar de forma irregular o patrimônio do Master.

Nesta nova fase, foram alvos endereços relacionados a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, além de parentes e empresários como Nelson Tanure e João Carlos Mansur, que foi presidente da Reag até setembro de 2025, quando deixou o cargo para tentar restaurar a credibilidade da empresa após a operação Carbono Oculto.

Em nota, a defesa de Mansur afirmou que não teve acesso aos detalhes da investigação, mas se colocou à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos. A Reag, por sua vez, negou qualquer ligação com o PCC e se comprometeu a colaborar com as autoridades desde o início das apurações.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nomeou a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo para gerenciar a liquidação, sob a responsabilidade de Antônio Pereira de Souza, ex-servidor do BC. A Reag, atualmente conhecida como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, representa uma pequena fração do sistema financeiro nacional, com menos de 0,001% do ativo total ajustado.

O Banco Central justifica a liquidação com base em graves violações às normas do sistema financeiro, afirmando que continuará a investigar as responsabilidades e a aplicar medidas sancionatórias se necessário.

Com a liquidação, os fundos de investimentos administrados pela Reag estarão congelados, embora não encerrados, até que uma nova administradora seja designada. Caso ninguém aceite assumir, os fundos poderão ser liquidados, com os resultados sendo distribuídos entre os cotistas.

Fundada em 2012, a Reag se destacou rapidamente no mercado, mas agora enfrenta graves acusações. Um relatório do BC ao TCU indicou indícios de fraude em operações financeiras no valor de R$ 11,5 bilhões, cujas irregularidades foram comunicadas ao Ministério Público Federal.

Além da Reag, o Banco Central também decretou a liquidação da Advanced Corretora de Câmbio, que possui baixa representatividade no sistema financeiro.