sábado, 7 de março de 2026
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Banco Central enfrenta desconfiança interna após investigação sobre o caso Master

Servidores estão apreensivos com os desdobramentos e a condução das apurações

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Banco Central enfrenta desconfiança interna após investigação sobre o caso Master
Foto: Divulgação

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O Banco Central (BC) está atravessando um período de incertezas entre seus colaboradores, em decorrência da abertura de uma investigação interna, solicitada pelo presidente Gabriel Galípolo, para examinar possíveis falhas na supervisão e fiscalização do Banco Master.

Funcionários do BC, que preferiram não se identificar, relataram que as informações a respeito da investigação estão limitadas a um grupo restrito, o que gera dúvidas e apreensão sobre a conduta de seus colegas. A principal preocupação é que o BC e sua equipe técnica tornem-se alvos de críticas em meio a um cenário de troca de acusações relacionadas ao caso.

Conhecido por seu forte corporativismo, o órgão teve dificuldades até mesmo para constituir a comissão de sindicância, segundo informações apuradas. Com o avanço das investigações, Belline Santana, chefe do departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Souza, seu adjunto, pediram para deixar seus cargos, com a saída oficializada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (29).

Há incertezas sobre se a renúncia dos dirigentes foi uma medida para garantir a imparcialidade das investigações ou se indica que já foram detectadas falhas na supervisão. O presidente do BC, ao solicitar a sindicância, também se mostrou ciente das possíveis resistências internas.

Apesar do clima de desconfiança, não há uma opinião unânime entre os servidores sobre a investigação. Muitos estão apreensivos e buscam compreender melhor os detalhes do escândalo envolvendo o Banco Master.

Servidores ainda questionam se a decisão de afastar os líderes do departamento de Supervisão Bancária foi para proteger a investigação, visto que o atual diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, permaneceu em seu cargo.

Entre os profissionais do setor bancário, a decisão de Galípolo é vista como um passo importante para esclarecer o que aconteceu e garantir a credibilidade técnica do BC. A expectativa é que a sindicância traga resultados positivos e lições para o futuro.

Até o momento, não existem acusações formais contra os dois servidores afastados. Segundo fontes, a investigação não se configura como uma caça às bruxas, mas sim como uma análise crítica para aprimorar processos e condutas em situações similares no futuro.

A sindicância está sendo realizada em sigilo e não há um prazo definido para sua conclusão. Inicialmente, esperava-se que um primeiro relatório fosse disponibilizado até o final de fevereiro, mas a autonomia da corregedoria pode levar a uma análise mais prolongada.

A Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB) manifestou que está acompanhando a situação com atenção e confia na condução responsável das investigações, ressaltando que os servidores atuam com base em processos documentados e colegiados, especialmente nas áreas sensíveis de fiscalização e supervisão.