Bolsa brasileira atinge 170 mil pontos em dia de otimismo com discurso de Trump
Mercado também reage a pesquisa eleitoral que indica redução da vantagem de Lula sobre adversários.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Bolsa de Valores do Brasil apresenta uma forte valorização nesta quarta-feira (21), com os investidores atentos ao discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
No cenário interno, a divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg pela manhã, que mostrou uma diminuição da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) em eventuais disputas de segundo turno, também influencia o mercado. Além disso, a liquidação extrajudicial da Will Financeira, braço digital do Banco Master, continua a ser acompanhada de perto pelos investidores.
Por volta das 15h41, o Ibovespa registrava uma alta de 2,5%, alcançando 170.536 pontos, impulsionado pela significativa entrada de capital estrangeiro. Este é um marco inédito para o índice, que já havia atingido um recorde histórico no dia anterior, fechando em 166.276 pontos, e se encaminha para novas máximas nesta sessão. O dólar, por sua vez, apresentava queda de 1,07%, cotado a R$ 5,32.
No seu discurso em Davos, Trump descartou o uso de força para controlar a Groenlândia, mencionando a intenção de iniciar negociações imediatas para discutir a aquisição do território. Ele classificou a questão como um “pedido pequeno” por um “pedaço de gelo”, afirmando que isso não representaria uma ameaça à Otan, aliança militar que inclui os Estados Unidos e a Dinamarca.
Essas declarações ajudaram a reduzir as tensões geopolíticas entre Washington e países europeus, que nas últimas semanas haviam causado volatilidade nos mercados globais. Anteriormente, Trump havia ameaçado impor tarifas a oito países europeus, levando o Parlamento Europeu a suspender o processo de ratificação do acordo comercial com os Estados Unidos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a resposta do bloco seria “inabalável” e “proporcional”.
Nos mercados internacionais, a percepção de menor risco geopolítico contribuiu para a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e a estabilização dos títulos japoneses, aliviando a pressão sobre moedas emergentes. Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio, destacou que esse movimento ajudou a reverter o estresse observado anteriormente nas divisas de países emergentes.
Esse cenário é favorável à Bolsa brasileira, que se beneficia da rotação global de capital em direção a mercados fora dos Estados Unidos, impulsionada por um elevado diferencial de juros, forte exposição a commodities e avaliações consideradas atrativas. A alocação em mercados emergentes permanece em níveis historicamente baixos nos portfólios globais, permitindo a continuidade do fluxo de investimentos.
A pesquisa Atlas/Bloomberg também gerou um clima de otimismo. Embora Lula continue liderando em todas as simulações eleitorais, a redução da diferença em relação a candidatos mais alinhados ao mercado reforça a percepção de um ambiente eleitoral mais competitivo. Para os investidores, isso indica a possibilidade de uma mudança no poder a partir do próximo ciclo, aumentando o interesse em ativos domésticos.
Outro ponto a ser observado é a liqu