Copom mantém Selic em 15,00% ao ano em meio a incertezas globais
Banco Central reafirma cautela na política monetária diante de riscos inflacionários elevados
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, em sua 276ª reunião, manter a taxa Selic em 15,00% ao ano. A decisão ocorre em um contexto de incertezas internacionais, especialmente em relação à política econômica dos Estados Unidos, que impacta as condições financeiras globais e exige prudência dos países emergentes.
No cenário nacional, os indicadores econômicos apontam para uma desaceleração no crescimento, enquanto o mercado de trabalho demonstra resiliência. As últimas divulgações mostram que, embora a inflação tenha mostrado sinais de arrefecimento, ainda permanece acima da meta estabelecida.
As expectativas de inflação para os anos de 2026 e 2027, conforme a pesquisa Focus, continuam acima do alvo, com projeções de 4,0% e 3,8%, respectivamente. Para o terceiro trimestre de 2027, a expectativa do Copom é de uma inflação de 3,2% no cenário de referência.
Os riscos inflacionários permanecem elevados, tanto para cima quanto para baixo. Entre os fatores que podem pressionar a inflação estão a desancoragem das expectativas e a resiliência da inflação de serviços. Por outro lado, uma desaceleração econômica acentuada ou uma queda nos preços das commodities poderiam trazer alívios inflacionários.
O Comitê continua a monitorar os efeitos do ambiente geopolítico na inflação e como as políticas fiscais internas influenciam a política monetária. A decisão de manter a Selic em 15,00% é vista como parte de uma estratégia para garantir a convergência da inflação para a meta, ao mesmo tempo em que busca suavizar as oscilações na atividade econômica e promover o pleno emprego.
O Copom também sinalizou que, se as condições se confirmarem, poderá iniciar um processo de flexibilização da política monetária na próxima reunião, reforçando seu compromisso com a meta de inflação.
Os membros do Comitê que votaram pela manutenção da taxa são: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.