sábado, 7 de março de 2026
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Dólar cai para R$ 5,36 e Bolsa avança com foco em inflação e empregos nos EUA

Dados de inflação no Brasil e emprego norte-americano influenciam mercado financeiro.

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Dólar cai para R$ 5,36 e Bolsa avança com foco em inflação e empregos nos EUA
Foto: Divulgação

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SÃO PAULO, SP - O dólar apresentou queda nesta sexta-feira (9), enquanto investidores analisam dados econômicos do Brasil e dos Estados Unidos em busca de indicações sobre as futuras decisões de juros em ambos os países.

No Brasil, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) revelou que a inflação de 2025 ficou abaixo do limite superior da meta estabelecida pelo Banco Central (BC). Nos EUA, o relatório de emprego mostrou que a criação de vagas desacelerou mais do que o esperado em dezembro.

Às 12h15, a moeda norte-americana recuava 0,43%, cotada a R$ 5,366, enquanto a Bolsa de Valores registrava alta de 0,59%, alcançando 163.910 pontos.

O IPCA, índice oficial de inflação no Brasil, fechou o ano passado com um acumulado de 4,26%, abaixo do teto de 4,5% da meta do BC, mas acima da meta central de 3%. Na comparação mensal, a variação em dezembro foi de 0,33%, em contraste com 0,18% em novembro.

Os números apresentados estão alinhados com as expectativas de analistas do mercado financeiro consultados pela agência Bloomberg, que projetavam uma inflação de 4,26% e um aumento de 0,33% em dezembro.

Apesar da inflação se aproximar do limite de tolerância do BC, especialistas acreditam que a pressão sobre os preços ainda é significativa, o que deve dificultar um corte na taxa Selic em curto prazo. Até então, o mercado estava dividido entre aqueles que esperavam uma redução na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) deste mês e aqueles que viam março como a data mais provável.

A Selic permanece em 15% ao ano desde junho de 2025. Atualmente, a expectativa é que o início do ciclo de cortes ocorra em março. "O dado de dezembro deixa um gosto amargo do ponto de vista qualitativo", afirma André Valério, economista sênior do Inter. "Embora seja um mês de inflação sazonal, a cautela na política monetária torna esse resultado suficiente para descartar a possibilidade de redução de juros na reunião de janeiro."

No entanto, considerando as previsões de queda no dólar nos próximos meses e a expectativa de inflação mais baixa no primeiro trimestre, "o acumulado do IPCA em 12 meses deve rapidamente convergir para abaixo de 4%", diz Valério, o que poderia possibilitar um corte já nos primeiros meses do ano.

Essa perspectiva favorece o real em relação ao dólar, uma vez que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos deve permanecer elevado por mais tempo. A estratégia de carry trade, onde investidores tomam empréstimos a taxas baixas e investem em países com juros mais altos, como o Brasil, sustenta essa dinâmica, resultando na compra de reais e na desvalorização do dólar.

Esse diferencial deve se manter inalterado durante janeiro, inclusive em relação aos juros dos EUA.

Os dados do payroll, que são a métrica preferida do Federal Reserve para o mercado de trabalho, indicam que a criação de empregos nos EUA desacelerou mais do que o previsto em dezembro. Foram criadas 50 mil vagas, enquanto a expectativa era de 60 mil, embora a taxa de desemprego tenha diminuído para 4,4