Galípolo: Faria Lima apoia Banco Central em meio a crises no primeiro ano
Presidente do BC enfrenta desafios e se destaca na confiança do mercado financeiro

BRASÍLIA, DF – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, demonstrou publicamente sua resistência a mudanças no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) um dia após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciar uma medida que foi parcialmente revertida. Isso revela um desalinhamento entre os dois, que pode impactar a confiança do mercado.
A alta do IOF foi recebida com preocupação pelos investidores, que temiam uma rápida saída de capitais do Brasil, interpretando a ação do governo como uma tentativa de controle de capital. As consequências dessa medida afetaram diretamente Galípolo, que se viu obrigado a atuar para minimizar os danos nas relações com investidores.
Três economistas, que preferiram manter anonimato, classificaram esse episódio como um divisor de águas na busca de Galípolo por credibilidade junto ao mercado. Um deles ressaltou que atualmente o presidente do BC desfruta de maior popularidade na Faria Lima do que o próprio Haddad, especialmente por seu comprometimento em tomar decisões que podem ir contra as expectativas do governo.
O apoio da Faria Lima se torna crucial em um dos momentos mais tensos da presidência de Galípolo: a crise envolvendo o Banco Master. No dia 27, associações de bancos e fintechs se uniram em defesa da autoridade monetária, reconhecendo a importância de um regulador independente na construção de um sistema financeiro sólido.
Esse apoio surge em um momento delicado, onde Galípolo se viu em conflito com o STF (Supremo Tribunal Federal), que começou a investigar a atuação do BC após a liquidação do Banco Master. Embora o ministro Dias Toffoli tenha negado que o BC estivesse sendo investigado, a situação levantou questões sobre a decisão de liquidar o banco, com muitos no mercado acreditando que a ação foi tardia.
Além disso, Galípolo teve reuniões com o ministro Alexandre de Moraes, que não foram divulgadas na agenda pública do BC, o que levanta mais suspeitas sobre a transparência da comunicação entre as partes.
A crise do Banco Master e a liquidação decretada pelo BC foram acompanhadas por um histórico ataque cibernético que desviou mais de R$ 800 milhões, levando Galípolo a adotar medidas emergenciais para proteger o sistema financeiro.
Em seu primeiro ano à frente do BC, Galípolo conseguiu se manter afastado de pressões políticas, conquistando respeito no mercado financeiro. Rodrigo Maia, diretor do BTG Pactual, elogiou sua capacidade de resistir à influência do governo, enquanto Sergio Werlang, ex-diretor do BC, fez um balanço positivo, embora com ressalvas sobre a condução da política de juros.
A taxa Selic foi encerrada em 15% ao ano, o nível mais alto em quase duas décadas, gerando críticas de membros do governo, mas Galípolo tem evitado ataques pessoais, mantendo sua posição e reafirmando a independência do Banco Central.