Ibovespa atinge marca histórica de 186 mil pontos impulsionado por otimismo no mercado
Expectativa de cortes de juros pelo Banco Central anima investidores e eleva o índice na B3.

O Ibovespa alcançou, nesta terça-feira, 3, a inédita marca de 186 mil pontos, superando em quase 3.900 pontos sua abertura, que foi de 182.815,55 pontos. Desde o início do pregão, o índice tem registrado máximas históricas, impulsionado principalmente pela expectativa de que o Banco Central inicie um ciclo de cortes de juros em março, uma expectativa reforçada pela ata do Comitê de Política Monetária (Copom).
Além do cenário positivo no Brasil, o desempenho otimista da bolsa é sustentado pela alta das bolsas norte-americanas e pela valorização do petróleo. Na B3, o clima permanece amplamente otimista, com todas as 85 ações da carteira teórica apresentando ganhos.
Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, ressalta que a ata do Copom, que indica cortes de juros, é um sinal positivo. Ele enfatiza que o Banco Central projeta uma inflação de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027, próximo ao centro da meta, de 3,0%. "Ainda há efeitos do aperto monetário a serem absorvidos pelo IPCA, mas a queda dos juros tende a beneficiar a economia", afirma. Cima ainda destaca que, caso o mercado de trabalho não estivesse tão apertado, o ciclo de cortes poderia já ter começado.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, também considera a valorização do índice justificada. "Há fundamentos para a alta, especialmente pela expectativa de queda dos juros e pelo fluxo de capital estrangeiro", comenta. Contudo, ele alerta que novos avanços devem ocorrer em um ambiente de maior volatilidade, dependente de dados macroeconômicos e da percepção de risco.
Os investidores estão atentos à Pesquisa Mensal Industrial (PIM), que mostrou uma queda de 1,2% na produção industrial em dezembro em comparação a novembro, resultado que ficou abaixo das expectativas. Contudo, na comparação com dezembro de 2024, houve um crescimento de 0,4%, e o avanço acumulado em 12 meses foi de 0,6%.
No cenário internacional, o mercado observa a paralisação parcial do governo dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump afirmou que assinará um acordo de financiamento "imediatamente" assim que o texto chegar até ele. A divulgação do relatório Jolts sobre criação de vagas foi adiada para 19 de fevereiro, assim como já ocorreu com o payroll previsto para esta semana.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, analisou a ata do Copom e destacou que o documento reforça a percepção de melhora do cenário econômico. "O comitê reconheceu a desaceleração da inflação e a melhora do ambiente externo, o que abre espaço para a flexibilização monetária", afirma. No entanto, ela mantém uma postura cautelosa, projetando um corte inicial de 50 pontos-base, com expectativa de que esse ritmo se mantenha no cenário atual. O Inter estima a Selic em 12,50% ao final do ano.
Às 11h33, o Ibovespa subia 2,17%, alcançando 186.768,43 pontos, uma nova marca histórica. No mesmo horário, o dólar apresentava uma queda de 0,97%, sendo cotado a R$ 5,2095, enquanto os juros futuros também operavam em baixa.