sábado, 7 de março de 2026
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Ressarcimentos do FGC para investidores do Banco Master começam com limites estabelecidos

Indivíduos com aplicações acima de R$ 250 mil devem aguardar liquidação para possíveis retornos.

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Ressarcimentos do FGC para investidores do Banco Master começam com limites estabelecidos
Foto: Divulgação

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(FOLHAPRESS) – O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou no último sábado (17) os ressarcimentos a investidores do Banco Master, limitando a devolução a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Para aqueles que possuem investimentos superiores a esse valor, a recuperação do excedente dependerá de diversos fatores relacionados à liquidação da instituição financeira, conforme especialistas.

Enquanto os valores garantidos já estão sendo restituídos, os montantes que excedem R$ 250 mil não têm a proteção do FGC e se integram à massa de credores do banco, classificando esses investidores como credores quirografários, sem garantia de recebimento. O ressarcimento para esses casos só ocorrerá se, ao final do processo, houver recursos disponíveis após o pagamento de dívidas trabalhistas, tributos e créditos garantidos.

Os pagamentos começaram 60 dias após a liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Daniel Lima, diretor-presidente do FGC, informou que essa operação, que totaliza R$ 40,6 bilhões e beneficiará 800 mil investidores, é a maior da história do fundo, o que impactou o tempo necessário para a conclusão dos trabalhos.

Atualmente, cerca de 569 mil pedidos foram registrados, com aproximadamente 377 mil credores já tendo concluído o processo de solicitação da garantia e iniciado a fase de pagamentos, que começou nesta segunda-feira (19).

De acordo com o advogado Jorge Calazans, especialista na defesa de investidores, a possibilidade de receber valores acima do limite do FGC depende do resultado final entre ativos recuperáveis e passivos totais. “É possível que haja recuperação, mas isso é incerto e pode levar tempo”, explica.

Os fatores que influenciam a recuperação incluem o tamanho da perda patrimonial, a capacidade de liquidar ativos remanescentes e a prioridade de credores preferenciais, como trabalhistas e tributários. No caso do Banco Master, as suspeitas de fraude e a prisão do controlador da instituição, que foi solto dias depois, complicam ainda mais a situação.

O professor de finanças Jorge Ferreira dos Santos Filho destaca que a fragilidade do banco era perceptível, com custos de captação elevados e problemas de governança. A rejeição do Banco Central à compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília) reforça essa avaliação.

Para os investidores que possuem valores dentro do limite do FGC, a recuperação é feita por meio do aplicativo do FGC, disponível em lojas de aplicativos. Já as pessoas jurídicas devem utilizar o site do fundo. Após o cadastro e a validação dos dados, o investidor pode solicitar o pagamento da garantia.

Para aqueles com valores que excedem R$ 250 mil, o processo é mais complexo e requer a liquidação extrajudicial. Calazans aconselha que os investidores mantenham toda a documentação relacionada ao investimento e, em casos mais complicados, podem buscar responsabilização civil e penal de administradores para ampliar as fontes de ressarcimento.

A recuperação dos valores acima do limite do FGC é incerta e depende de variáveis como a qualidade dos ativos e a liquidez disponível. Salvatore Milanese, especialista em gestão de riscos financeiros, ressalta que a qualidade dos créditos concedidos pelo banco é crucial para determinar a possibilidade de recuperação.

O FGC garante até R$ 250 mil por