Universidade Estadual Paulista desmente envolvimento em cálculos de créditos de carbono ligados a grupo empresarial
Unesp afirma que não participou da metodologia que avaliou ativos de empresas associadas ao Banco Master

(FOLHAPRESS) – A Universidade Estadual Paulista (Unesp) negou qualquer participação na elaboração do cálculo que estimou o estoque de carbono de um projeto ambiental vinculado à família de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A metodologia, que teria multiplicado o valor de duas empresas ligadas ao banco para cerca de R$ 45,5 bilhões, foi atribuída à universidade, mas esta afirma que não esteve envolvida.
De acordo com investigações, os fundos associados ao Banco Master podem ter sido artificialmente valorizados para desviar recursos e fortalecer um esquema financeiro envolvendo o ex-banqueiro. O estudo técnico que gerou a valorização foi apresentado pelas empresas Global Carbon e Golden Green, que alegaram ter utilizado a Unesp como um selo de credibilidade, o que foi refutado pela instituição.
A Global Carbon declarou em nota que os inventários foram realizados pela Unesp, mas a universidade contradisse essa afirmação, afirmando que não firmou contrato com nenhuma empresa para a quantificação do estoque de carbono na Fazenda Floresta Amazônica, localizada em Apuí (AM). A Unesp também ressaltou que seu nome nunca foi autorizado a ser utilizado por terceiros nesse contexto.
O professor Iraê Amaral Guerrini, que assinou o relatório de quantificação, confirmou que houve um pagamento pelo serviço, mas não revelou o valor, citando questões de confidencialidade. Inicialmente, ele indicou que o pagamento era feito pelo suposto proprietário da fazenda, mas depois corrigiu a informação, afirmando que foi realizado pela Global Carbon.
Segundo a Unesp, para que um docente possa prestar serviços remunerados a terceiros, é necessária a autorização formal da instituição, o que não foi solicitado neste caso. A única forma de remuneração viável seria através de um contrato oficial, que não existiu.
O estudo realizado concluiu que a área de 143,9 mil hectares da Fazenda Floresta Amazônica possui um estoque de 168,8 milhões de toneladas de CO₂, um número considerado questionável por especialistas, uma vez que não segue critérios de mercado. Mesmo assim, Global Carbon e Golden Green precificaram esses estoques em R$ 45,5 bilhões.
A Unesp esclareceu que sua pesquisa é de domínio público e não pode ser comercializada, e que não participou de qualquer processo de negociação ou comercialização relacionado a créditos de carbono. A situação gerou um complexo desdobramento que está sendo investigado, com a Polícia Federal iniciando a Operação Carbono Oculto para apurar possíveis irregularidades.