sábado, 7 de março de 2026
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Caminhão Brasileiro Apresenta Emissões de CO₂ 35% Inferiores a Modelos Europeus, Revela Estudo

Pesquisa da USP destaca a eficiência ambiental do transporte rodoviário brasileiro em comparação com a Europa.

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Um estudo realizado na Escola Politécnica da USP trouxe novas evidências sobre a descarbonização no transporte rodoviário, mostrando que caminhões brasileiros podem ser mais eficientes que os europeus. O trabalho, conduzido pelo engenheiro mecânico Eduardo Eisenbach de Oliveira Fortes, analisou a emissão de CO₂ por tonelada-quilômetro transportada, revelando que os caminhões que operam no Brasil têm um desempenho ambiental superior.

A pesquisa, que foi apresentada como trabalho de conclusão de curso, utilizou pela primeira vez no Brasil a ferramenta Vecto (Vehicle Energy Consumption Calculation Tool), que é um padrão da União Europeia para certificar o consumo e as emissões de caminhões. Fortes adaptou o software às características brasileiras, considerando rotas longas, topografia desafiadora e cargas de até 74 toneladas, que superam as 40 toneladas permitidas na Europa.

Segundo Fortes, o transporte rodoviário é responsável por mais de 60% da movimentação de cargas no Brasil, o que torna necessária a utilização de métricas precisas. Ele comparou a operação de caminhões padrão 6x4 em rotas da Europa com a importante rota Campo Grande (MS) – Porto de Paranaguá (PR), essencial para o escoamento de grãos no país.

A simulação indicou que, mesmo que um caminhão brasileiro consuma mais combustível devido ao peso, ele é 35% mais eficiente ao considerar o consumo em relação à quantidade de carga transportada. Enquanto os modelos europeus (Euro VI) emitem 29,0 gCO₂/t-km, os brasileiros alcançam 18,8 gCO₂/t-km.

O estudo também mostrou que o fator carga é mais relevante para a sustentabilidade do que a topografia. “Mesmo com tecnologias veiculares por vezes defasadas, podemos constatar que nossa capacidade de escala no transporte compensa, ambientalmente, por unidade de carga transportada”, destacou Fortes.

Para assegurar a precisão dos dados, o engenheiro utilizou informações reais da União Europeia e regulamentações brasileiras, além de empregar inteligência artificial para mapear a rota de 1.091 km estudada. O professor Marcelo Augusto Leal Alves, orientador do projeto, enfatizou a importância de estudos como o de Fortes, ressaltando a necessidade de ferramentas semelhantes às disponíveis na Europa para simular as emissões de caminhões no Brasil.

De acordo com Alves, essa metodologia aplicada a percursos reais traz resultados inéditos e é fundamental para o debate sobre o impacto ambiental do transporte pesado no país.