sábado, 7 de março de 2026
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Celeste Suruí: A Primeira Barista Indígena do Brasil Enaltece o Café Amazônico

A trajetória de Celeste destaca a sustentabilidade e os sabores únicos do café produzido por seu povo.

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Celeste Suruí: A Primeira Barista Indígena do Brasil Enaltece o Café Amazônico
Foto: Divulgação

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Barista Celeste Suruí

Foto: divulgação/redes sociais

Celeste Suruí se torna a primeira mulher indígena a se especializar na arte de preparar cafés, trazendo ao mercado uma representação da identidade e da sustentabilidade dos robustas amazônicos cultivados na floresta.

Os cafés robustas, cultivados principalmente no Amazonas, têm conquistado reconhecimento pela sua qualidade e pela contribuição positiva à renda da agricultura familiar em diversas comunidades indígenas e municípios. Nesse cenário, a trajetória de Celeste é emblemática, combinando tradição, conhecimento técnico e valorização do território.

De acordo com Celeste, o papel do barista vai além do simples preparo de cafés. Este profissional é responsável por criar receitas e drinks quentes e gelados, além de explorar as diferentes notas sensoriais que a bebida pode oferecer.

Ela explica que, ao utilizar métodos de preparo coados, cafés especiais podem revelar notas de chocolate e caramelo de forma natural, resultado das características do grão e do cuidado na produção. Desde 1983, ano da demarcação da terra, o café é cultivado no território indígena do povo Paiter Suruí. A cafeicultura foi adotada como uma estratégia de reflorestamento, fortalecendo a conexão entre produção agrícola e preservação ambiental. “Os cafés que ficaram no território, usamos como a forma de reflorestar essas áreas”, enfatiza Celeste.

A paixão de Celeste pelo barismo começou em 2019, quando ela participou de um curso com outras jovens indígenas e percebeu que o trabalho de sua comunidade era pouco reconhecido, mesmo dentro do estado. Desde então, ela decidiu se aprofundar na área e se comprometer a dar visibilidade à cafeicultura indígena amazônica.

“Nós trabalhamos com café desde sempre e as pessoas que não moram no nosso estado não conhecem o nosso trabalho, imagina pessoas de outros estados e regiões”, ressalta. Atualmente, Celeste carrega a responsabilidade de ser mulher, indígena e barista em um mercado repleto de desafios. Além de representar seu povo, ela participa de um projeto que envolve sete etnias indígenas, reunindo cafeicultores que produzem cafés especiais em seus territórios, como Suruí, Aruá, Tupari, Macurap e Kanoé.