sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
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França e Irlanda se posicionam contra acordo entre União Europeia e Mercosul

Pressão de agricultores franceses influencia decisão que pode impactar negociações comerciais

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Macron

Foto: Irina Yakovleva/TASS

A França e a Irlanda anunciaram que votarão contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, durante uma reunião crucial agendada para esta sexta-feira (9), em Bruxelas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou nesta quinta-feira (8) que a França mantém sua posição contrária à assinatura do tratado. Essa decisão foi impulsionada pela forte pressão de agricultores locais, que têm realizado protestos e bloqueios de estradas, com a federação FNSEA exigindo um “Stop Mercosul”, alegando que o acordo representa um risco de concorrência desleal com os produtos agropecuários da América do Sul.

O governo irlandês também confirmou seu voto contrário ao tratado. O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, reconheceu os “enormes progressos” nas negociações, mas ressaltou que ainda não existem garantias suficientes para evitar que os agricultores do país enfrentem dificuldades econômicas excessivas caso o acordo seja implementado.

A negativa da França e da Irlanda se dá um dia antes do que o governo brasileiro considera um “marco relevante” para o futuro do pacto. A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, afirmou que a reunião desta sexta-feira deverá esclarecer os próximos passos a serem tomados.

“Não vamos definir uma data, mas a partir de agora teremos mais clareza”, comentou, referindo-se à carta enviada pela Comissão Europeia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sinalizou a intenção de concluir a assinatura em janeiro.

Além disso, a votação desta sexta-feira deve revelar a divisão interna na União Europeia. Enquanto França e Irlanda formalizam sua oposição, a Alemanha busca reunir a maioria qualificada necessária para viabilizar a assinatura do acordo.

O porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, expressou estar “muito confiante” de que a Itália apoiará o tratado. O apoio de Roma é considerado fundamental para contrabalançar a oposição francesa e garantir o número mínimo de países e da população exigidos para que a Comissão Europeia possa avançar com a assinatura, possivelmente já na próxima semana.