Inovação brasileira permite cultivo de alimentos na Antártica em temperaturas extremas
Pesquisadores utilizam estufa de alta tecnologia para garantir produção de microverdes no continente gelado


Foto: divulgação/ Comissão Interministerial para os Recursos do Mar - Proantar
Pesquisadores brasileiros estão quebrando barreiras ao cultivar alimentos frescos na Antártica, um dos locais mais inóspitos do planeta. A iniciativa, que faz parte do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), visa melhorar a alimentação de cientistas que permanecem longos períodos no continente gelado.
A Antártica, com temperaturas que podem atingir -60 °C, apresenta desafios significativos para o cultivo agrícola. No entanto, os cientistas instalaram uma estufa de alta tecnologia, desenvolvida no Brasil, que possibilita a produção de microverdes como mostarda, agrião, brócolis e rabanete.
A estufa, que é compacta e feita com chapas de alumínio, conta com um revestimento de isolante térmico biodegradável à base de mamona, uma solução que não utiliza derivados de petróleo. Gabriel Estevam, diretor de pesquisa da Ambipar, destaca que é possível controlar todos os parâmetros de temperatura, umidade e luminosidade sem precisar acessar o interior da estufa.
Além das inovações tecnológicas, o projeto também respeitou rigorosas normas ambientais. Sem solo disponível e sem possibilidade de descartar resíduos, o substrato usado para o cultivo foi produzido a partir de resíduos gerados pela própria equipe, como borra de café e caixas de ovos.
Estevam enfatiza que o experimento demonstra o potencial de sistemas autossuficientes de produção de alimentos para missões de longa duração, não apenas na Antártica, mas também em outros ambientes extremos.