sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
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Macron Prioriza Eleições em Veto ao Acordo UE-Mercosul

Decisão reflete mais uma estratégia política do que uma questão comercial

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Macron Prioriza Eleições em Veto ao Acordo UE-Mercosul
Foto: Divulgação

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Macron , presidente da França

Foto: Instagram/reprodução

A postura do presidente francês Emmanuel Macron em relação ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul vai além de considerações técnicas ou ambientais. A análise do cenário interno da França revela que essa decisão se baseia mais em interesses políticos e eleitorais do que em questões comerciais.

A França enfrenta um período de intensa turbulência social, caracterizado por protestos frequentes, pressão do setor agrícola e uma queda no apoio popular ao governo. Diante da dificuldade de competir em um mercado global cada vez mais ágil e tecnológico, a estratégia adotada não foi a de enfrentar problemas estruturais relacionados à produtividade e aos custos, mas sim a de estabelecer barreiras e buscar culpados externos. Nesse contexto, o acordo UE-Mercosul tornou-se um alvo ideal.

Uso Seletivo do Ambientalismo como Protecionismo

Embora o discurso ambiental seja legítimo, ele perde credibilidade quando utilizado de forma seletiva. Nações que devastaram grande parte de seus territórios no passado agora se posicionam como guardiãs da produção agrícola tropical, desconsiderando os avanços tecnológicos e as práticas sustentáveis que já são realidade entre os produtores da América do Sul.

Não se trata de ignorar os desafios ambientais, mas sim de distinguir entre preocupações reais e protecionismo camuflado como virtude.

O acordo nunca foi um favor ao Brasil; ele surgiu da complementaridade entre as economias: a Europa busca ampliar mercados para seus produtos industriais, enquanto o Mercosul deseja fortalecer sua presença em alimentos, energia e commodities. Além disso, do ponto de vista institucional, o processo não depende exclusivamente da França para avançar, o que reforça o caráter político do veto.

Resiliência Brasileira

Ao ceder à pressão interna, Macron não está fortalecendo a França; apenas está adiando ajustes necessários e afastando parceiros estratégicos para outros mercados. Para o Brasil, essa situação exige firmeza, previsibilidade e defesa da soberania comercial. O setor agropecuário brasileiro continuará produzindo e exportando.

Se a França optar por não competir, negociar e respeitar acordos internacionais, talvez o problema não esteja no Mercosul. O comércio global não é para aqueles que temem a concorrência; quem decide se fechar perceberá, mais cedo ou mais tarde, que o protecionismo não sustenta economias, mas apenas discursos.

Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política.