sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
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Salvaguardas chinesas põem em risco exportações de carne bovina do Brasil

Avaliação da Abrafrigo aponta possíveis perdas de até US$ 3 bilhões em 2026.

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Contêineres em um porto para ilustrar que exportações na Bahia tiveram queda em julho

Foto: Pexels

A decisão da China de implementar salvaguardas nas importações de carne bovina acende um alerta para o futuro das exportações brasileiras a partir de 2026. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) avaliou que essa medida pode trazer um risco imediato para as vendas externas e para a estabilidade da cadeia produtiva da pecuária no Brasil.

A nova política comercial chinesa foi anunciada pelo Ministério do Comércio da China na última quarta-feira (31) e estabelece cotas para as importações de carne bovina nos próximos três anos, entre 2026 e 2028.

Para o ano de 2026, o Brasil terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina destinadas ao mercado chinês, com um crescimento estimado de 2% nos dois anos subsequentes. No entanto, as exportações que excederem esse limite estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 55%, o que, segundo a Abrafrigo, pode inviabilizar os embarques acima da cota. A entidade estima que essa política pode resultar em uma perda de até US$ 3 bilhões em receitas já em 2026, em um cenário onde as exportações do setor devem ultrapassar US$ 18 bilhões em 2025.

A China é atualmente o principal mercado para a carne bovina brasileira, devendo responder por mais de 1,6 milhão de toneladas exportadas em 2025, o que representa 55% das exportações do produto. A receita com essas vendas deve alcançar cerca de US$ 9 bilhões neste ano, consolidando a China como o maior comprador da carne bovina brasileira, tanto em volume quanto em faturamento. Contudo, essa alta dependência do mercado chinês torna o setor vulnerável a qualquer alteração na política comercial da China.

A Abrafrigo ressalta que a implementação das salvaguardas ocorre em um momento crítico para a pecuária nacional, que já enfrenta uma redução na oferta de animais e está em transição no ciclo produtivo. A entidade alerta que a limitação das exportações pode desestimular investimentos por parte dos produtores rurais, afetando decisões sobre o aumento da produção e impactando toda a cadeia produtiva, incluindo renda, emprego e investimentos no campo.

Diante desse cenário, a Abrafrigo propõe uma atuação diplomática coordenada pelo governo brasileiro para diversificar os mercados de exportação e reduzir a dependência em relação à China, a fim de mitigar os efeitos negativos das salvaguardas sobre o setor.