Gil Diniz, aliado de Eduardo Bolsonaro, defende candidatura própria do PL em SP
Deputado critica postura de Tarcísio e adota sobrenome da família Bolsonaro

O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP), cogitado para concorrer ao Senado nas próximas eleições, fez uma declaração polêmica ao adotar o sobrenome do clã Bolsonaro e manifestar apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) nesta terça-feira (3), Diniz provocou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), sugerindo que o PL deveria lançar um candidato próprio ao governo do estado.
Durante sua fala, Gil Diniz ironizou uma afirmação de Tarcísio, que defendia a união de candidatos de direita para o próximo pleito presidencial. “Se essa lógica se aplica à presidência, ela também se justifica para o governo de São Paulo, onde o PL deve ter seu próprio candidato, fortalecendo as chapas estaduais e federais”, destacou o deputado.
O PL está atualmente em negociações para ocupar a vice na chapa de Tarcísio, com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, defendendo que o cargo seja ocupado pelo deputado André do Prado, que é seu afilhado político.
A declaração de Tarcísio sobre a união de forças ocorreu após sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Distrito Federal. O governador afirmou que a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD foi bem recebida por Bolsonaro, e que todos estariam se mobilizando contra a reeleição de Lula.
Embora Gil Diniz faça parte da base do governo na Alesp, ele tem adotado uma postura crítica em relação a Tarcísio, cobrando uma aproximação do governador com o bolsonarismo. Em seu discurso, ele não poupou críticas a parlamentares que, segundo ele, se elegeram sob a bandeira bolsonarista, mas não demonstraram apoio a Bolsonaro, que se encontra preso, ou à candidatura de Flávio.
Gil também justificou a adoção do sobrenome Bolsonaro em seu nome parlamentar como resposta a provocações de opositores, que haviam mencionado a inclusão de Lula em nomes de deputados após sua prisão na Operação Lava Jato. “Não tenho problema nenhum em usar o nome do presidente Bolsonaro”, afirmou o deputado, que nega que a mudança tenha motivações políticas.
Atualmente, sua candidatura ao Senado conta com o apoio de Eduardo Bolsonaro, em um cenário indefinido para a direita em São Paulo, onde a concorrência dentro do PL é intensa. Outros nomes, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, tentam viabilizar a candidatura de Rosana Valle, assim como os deputados Mario Frias e Marco Feliciano são cogitados pela cúpula do partido.
“Coloco o sobrenome Bolsonaro no meu nome parlamentar não para fazer uso político do nome do presidente, mas para afirmar que aqui defendemos o presidente Bolsonaro e sua família”, finalizou Gil Diniz. O deputado não respondeu aos contatos da reportagem da Folha de S.Paulo.