Carlos Bolsonaro critica condições da nova prisão de Jair e aliados atacam Moraes
Apoiadores pedem prisão domiciliar para o ex-presidente, alegando problemas de saúde.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Carlos Bolsonaro (PL), ex-vereador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificou as novas instalações onde seu pai cumprirá pena como um "ambiente prisional severo". A família e seus aliados estão pleiteando que Bolsonaro cumpra a pena em prisão domiciliar, enfatizando a fragilidade de sua saúde. O local conhecido como Papudinha, um batalhão da Polícia Militar em Brasília, é próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Os comentários de políticos próximos ao ex-presidente também foram direcionados ao ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pela condenação e pela ordem de transferência. Até o dia 15 de outubro, Jair Bolsonaro estava detido na sede da Polícia Federal em Brasília.
Para os aliados, a mudança para Papudinha representa uma redução de danos, uma vez que as instalações são mais amplas do que as da PF. Contudo, muitos ainda insistem que o ex-presidente deveria estar em prisão domiciliar. "Meu pai não deveria estar em um presídio, mas sim em casa", declarou Carlos em um vídeo nas redes sociais.
Ele ressaltou que seu pai enfrenta problemas de saúde e que muitos outros presos foram autorizados a domiciliar em situações menos graves. Carlos também afirmou que Jair Bolsonaro é alvo de perseguições e que as eleições de 2026 são cruciais para o futuro do grupo político que o apoia, que busca anistia e uma mudança na composição do Senado para pressionar Moraes.
Em uma postagem, Carlos afirmou que as ações de Moraes contra seu pai e outros presos do dia 8 de janeiro representam uma maldade injustificável. "A transferência para um ambiente prisional severo e as irregularidades jurídicas tornam essa situação um marco de confronto institucional, com repercussões além da figura de Jair Bolsonaro", comentou.
Na semana anterior, Bolsonaro deixou temporariamente a prisão para atendimento médico após uma queda, onde foi diagnosticado com um traumatismo craniano leve. O ex-presidente tem um histórico de problemas de saúde, incluindo cirurgias para correção de hérnia e obstrução intestinal.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), criticou Moraes, afirmando que o ex-presidente está em risco de vida. Em uma nota, Marinho afirmou que a transferência expõe um abuso, onde criminosos perigosos recebem melhores condições do que alguém preso por um crime impossível. "Com a idade e as comorbidades que tem, Bolsonaro deveria estar em prisão domiciliar", disse.
O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), ecoou a mesma ideia, afirmando que o objetivo é garantir que Jair Bolsonaro retorne para casa. "Queremos que ele esteja em casa, não na Papuda ou Papudinha. Vamos continuar pressionando", afirmou.
O relator do projeto que propõe a redução das penas dos condenados no caso da tentativa de golpe, senador Esperidião Amin (PP-SC), também defendeu a transferência como uma forma de amenizar a situação, mas reiterou que Bolsonaro deve ser colocado em prisão domiciliar, criticando o poder exercido por Moraes sobre o cumprimento da pena do ex-presidente.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe, reconhecendo-se como líder do movimento que contestou os resultados das eleições de 2022