sábado, 7 de março de 2026
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Governo Lula Avalia Convite de Trump para o Conselho da Paz

Coordenação internacional e riscos diplomáticos são considerados antes de uma resposta ao convite do presidente americano.

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Governo Lula Avalia Convite de Trump para o Conselho da Paz
Foto: Divulgação

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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em conversações com outros países convidados para integrar o Conselho da Paz, antes de decidir sobre a adesão do Brasil à nova entidade proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Conforme informações de fontes que preferiram não ser identificadas, a análise da lista de países convidados e suas reações é crucial para a definição da participação brasileira. O Conselho da Paz faz parte de uma iniciativa americana que visa resolver o conflito entre Israel e Hamas, além de abordar outras questões de segurança internacional.

No último sábado (17), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, dialogou com líderes europeus sobre a proposta. A expectativa é que Vieira e Lula busquem mais informações de outros países sobre o conselho e suas respectivas posições, buscando uma resposta coordenada ao convite de Trump.

Um diplomata envolvido nas discussões destacou que essa articulação é importante para evitar que nações se coloquem em situações de riscos de retaliações por parte dos EUA. Além disso, há a intenção de negociar os termos do conselho para incluir as demandas de outros países. O governo francês, por exemplo, já anunciou que não aceitará o convite, e Trump reagiu ameaçando tarifas sobre produtos franceses.

Embora integrantes do governo brasileiro considerem que uma eventual recusa em participar não deve deteriorar as relações com Trump, ainda há cautela em relação ao Conselho da Paz. A decisão final dependerá de análises políticas e jurídicas, e o Brasil deve utilizar os próximos dias para avaliar os impactos internacionais da adesão.

O convite a Lula foi enviado na última sexta-feira (18), e além do Brasil, líderes de países como Argentina, Rússia, Alemanha, França, Turquia e Egito também foram convidados, totalizando cerca de 60 nações.

Os diplomatas do Itamaraty expressam preocupação quanto à possibilidade de o Conselho da Paz interferir nas funções do Conselho de Segurança da ONU, o que poderia comprometer a eficácia da organização. A possibilidade de não responder formalmente ao convite também está em consideração, para evitar confrontos com Trump.

O estatuto do Conselho de Paz prevê mandatos de três anos e funciona com base em contribuições voluntárias, garantindo assentos permanentes a países que contribuírem com valores significativos. Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, criticou a iniciativa, afirmando que não foi coordenada com seu governo.

No início da semana, o governo israelense confirmou o recebimento do convite, mas ainda não se manifestou oficialmente sobre a participação.

Lula, por sua vez, já expressou críticas a Trump, afirmando que o presidente americano busca governar o mundo de maneira impulsiva e defendendo a importância do diálogo direto.