sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Ao vivo
Política

Governo Lula pode deixar ação ao STF sobre veto a PL da Dosimetria para aliados

Avaliação jurídica indica inconstitucionalidade na proposta, que pode ser contestada por partido aliado ou congressista.

Política3 min de leitura
Governo Lula pode deixar ação ao STF sobre veto a PL da Dosimetria para aliados
Foto: Divulgação

Publicidade

Anuncie aqui

A cúpula do governo federal analisa que, caso o Congresso decida derrubar o veto do presidente Lula (PT) ao projeto que reduz as penas de Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados na trama golpista, a questão deverá ser levada ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a área jurídica do Planalto, a proposta é considerada inconstitucional. Contudo, a ação para barrar o projeto, caso o veto seja rejeitado, não precisaria ser iniciada pelo Executivo. O cenário mais provável é que um partido ou um congressista aliado de Lula tome a iniciativa de acionar a corte.

Um deputado, em diálogo reservado, expressou à reportagem a intenção de propor uma ação ao STF caso o veto de Lula seja revertido.

Ministros do tribunal, conforme noticiado anteriormente, aceitaram uma proposta para amenizar as punições em vez de simplesmente perdoar os condenados. Para esses ministros, a redução das penas deve ser analisada caso a caso.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, junto com seus aliados que receberam penas menores, no processo relacionado aos ataques de 8 de Janeiro de 2023. A redução das penas foi aprovada meses depois, sob a expectativa de que Lula vetaria o projeto, o que foi confirmado pelo presidente.

Lula tem até segunda-feira (12) para vetar o texto, mas é esperado que ele o faça na quinta-feira (8), durante um ato em memória dos ataques às sedes dos Poderes.

No evento no Palácio do Planalto, Lula discursará e poderá descer a rampa para cumprimentar apoiadores que estarão do lado de fora. Os manifestantes poderão acompanhar a cerimônia em telões.

Setores do PT defendem a realização de novos atos para pressionar o Congresso a não derrubar o veto, mas até o momento, a prioridade é a manifestação em frente ao Planalto.

O Legislativo possui o direito de rejeitar vetos do Executivo, exigindo a aprovação de mais da metade dos deputados e senadores. Na Câmara, 291 deputados votaram a favor do PL da Dosimetria, 148 foram contrários, indicando uma provável rejeição do veto de Lula. No Senado, o apoio também é considerado suficiente para derrubar o veto.

Lula reconheceu a possibilidade de o Congresso derrubar seu veto, afirmando: "O Congresso tem o direito de fazer as coisas. Eu tenho o meu direito de vetar. Depois, eles têm o direito de derrubar o meu veto ou não. É assim que é o jogo".

Aliados do governo planejam uma disputa na opinião pública em torno da redução das penas, acreditando que a discussão pode beneficiar a popularidade de Lula. De acordo com o Datafolha, 54% do eleitorado considera justa a prisão de Bolsonaro.

Os ataques de 8 de Janeiro uniram a cúpula da República em torno de Lula no início de 2023, mas a memória do episódio perdeu força ao longo do tempo. Os presidentes da Câmara e do Senado não participarão do ato programado por Lula.

A cerimônia deste ano será a primeira após as condenações de Bolsonaro e outros envolvidos na trama golpista. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), destacou que agora os responsáveis estão cumprindo pena, enfatizando a