Lula expressa descontentamento com Toffoli e sugere renúncia ao STF
Presidente se mostra irritado com a condução do ministro no inquérito do Banco Master e planeja nova conversa sobre o tema.

BRASÍLIA, DF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou descontentamento com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em relação ao inquérito do Banco Master. Nos últimos dias, Lula mostrou sinais de que não pretende defender o ministro das críticas que vêm sendo direcionadas a ele.
Em conversas reservadas com assessores, o presidente fez comentários incisivos sobre Toffoli, chegando a afirmar que o ministro deveria considerar renunciar ou se aposentar, segundo informações da Folha de S.Paulo. Lula pretende convocar Toffoli para discutir novamente sua postura no caso, após já terem abordado o assunto anteriormente.
Embora tenha demonstrado incômodo, aliados do presidente acreditam que ele não tomará a iniciativa de pedir que o ministro se afaste do tribunal ou renuncie à relatoria do inquérito. O presidente está preocupado com o desgaste que a imagem do STF está sofrendo devido a notícias que revelaram conexões de parentes de Toffoli com fundos vinculados ao Banco Master. Ele também criticou o sigilo imposto ao processo e teme que a investigação seja abafada.
Lula tem defendido que o governo mostre um combate efetivo às fraudes, sem proteger figuras poderosas, para evitar críticas sobre possíveis interferências. Em suas palavras, "não é aceitável que continuemos a ver pessoas comuns sendo sacrificadas enquanto um indivíduo do Banco Master cometeu um golpe de mais de R$ 40 bilhões".
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantém relações próximas com políticos do centrão e aliados do governo na Bahia. O ex-sócio do banco, Augusto Lima, é próximo de Rui Costa, ministro da Casa Civil, e do senador Jaques Wagner.
Lula tem acompanhado de perto a evolução do inquérito e ficou surpreso com a decisão de Toffoli de manter sob alto sigilo um pedido da defesa de Vorcaro para levar o caso ao STF, especialmente após a divulgação do contrato de R$ 3,6 milhões mensais do escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes para defender os interesses do banco.
Um aliado mencionou que Lula começou a desconfiar que o caso poderia resultar em um “acordo” que não atenderia à justiça. Na última conversa entre Lula e Toffoli, realizada durante um almoço no Palácio do Planalto, o presidente expressou que as revelações feitas por seu governo deveriam ser seguidas de ações concretas.
Toffoli, por sua vez, afirmou que o sigilo era justificável e que nada seria abafado. O ministro, que não vê motivos para abdicar de sua função, ressaltou que nem sua viagem em um jatinho com um dos advogados do caso nem a associação dos seus irmãos com o fundo de investimentos comprometem sua imparcialidade.
O relacionamento entre Lula e Toffoli é complexo, marcado por descontentamentos. O presidente, que indicou Toffoli ao STF, ficou desapontado quando o ministro impediu sua presença no velório de seu irmão, um episódio pelo qual Toffoli se desculpou posteriormente.