sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Ao vivo
Política

PF realiza prisão de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, após determinação de Moraes

Decisão do ministro do STF se baseia em violação de medidas cautelares por parte de Martins.

Política2 min de leitura
PF realiza prisão de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, após determinação de Moraes
Foto: Divulgação

Publicidade

Anuncie aqui

A Polícia Federal (PF) prendeu na última sexta-feira, 2, Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em sua residência em Ponta Grossa (PR), onde cumpria prisão domiciliar. A ordem de prisão foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No dia 29 de dezembro, Moraes havia solicitado que a defesa de Martins esclarecesse, em até 24 horas, sobre uma possível violação das medidas cautelares relacionadas à ação penal que investiga uma tentativa de golpe.

O ministro alegou que Martins acessou seu perfil no LinkedIn naquele dia para buscar perfis de terceiros, algo que está proibido pelo STF, visto que ele não pode utilizar redes sociais.

A defesa de Martins, em resposta a Moraes, afirmou que ele não fez uso da plataforma nem realizou publicações, e que seu perfil está sob controle dos advogados com a finalidade de preservar provas e organizar informações pertinentes ao processo. “O Defendente não utilizou a plataforma LinkedIn, nem realizou qualquer ato de manifestação pública ou comunicação por meio dela”, defendeu a advocacia.

No despacho que autorizou a prisão, Moraes afirmou não haver dúvidas de que houve descumprimento das medidas cautelares, uma vez que a própria defesa reconheceu a utilização da rede social. O ministro considerou que Martins demonstrou “total desrespeito” pelas normas e instituições democráticas, infringindo as medidas estipuladas e o ordenamento jurídico.

Ricardo Scheiffer, advogado de Martins, declarou ao Estadão que não recebeu explicações sobre a prisão, apenas um mandado. “Eu vi a movimentação em frente à casa de Martins e cheguei. Filipe está tranquilo, ciente da injustiça que enfrenta, e pronto para lutar”, comentou.

Em 26 de dezembro, Moraes havia determinado a prisão domiciliar de Martins e outros nove réus no processo, devido ao risco de fuga. A medida foi adotada para evitar novas tentativas de fuga de condenados pela trama golpista. Martins, que faz parte do “núcleo 2” da ação, foi condenado pelo STF a 21 anos e seis meses de prisão, mas ainda não está preso definitivamente, pois sua condenação não transitou em julgado.

Natural de Sorocaba (SP) e com 38 anos, Martins é formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e afirma ter sido assessor econômico na Embaixada dos Estados Unidos e professor em cursos preparatórios. Ele se aproximou da família Bolsonaro em 2014 e foi considerado integrante do chamado “gabinete do ódio”, um grupo que usou redes sociais para disseminar desinformação contra opositores.